• Estudantes lutam por espaço para falar de sexualidade e HIV/aids nas escolas

    Aconteceu nessa quarta-feira (18), na Assembleia Legislativa de São Paulo, uma reunião da Frente Parlamentar de Enfrentamento das IST/aids para discutir prevenção, HIV/aids e sexualidade nas escolas do estado. Estiveram presentes o GT Adolescência e Juventude do FOAESP, Programa Estadual de IST/aids, Secretaria Estadual da Educação, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Programa Municipal DST/aids de São Paulo. O principal objetivo desse encontro é criar políticas para divulgar melhor os aspectos da doença ao público jovem. "Precisamos discutir como a prevenção pode estar aliada à educação e entender como podemos avançar, porque esses trabalhos estão parados. E, pra isso, precisamos dar voz aos estudantes", explica Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs/aids do Estado de São Paulo..

    Durante a discussão, alunos de diferentes regiões do estado de São Paulo deram sua contribuição dizendo o que é necessário melhorar, e onde percebem que existem falhas para que o tema chegue de forma efetiva nas escolas. "Sentimos que o preconceito é muitas vezes difundido pelos próprios professores. Uma vez, um deles disse pra um aluno gay: 'vá ser homossexual lá na sua casa'", conta o estudante Paulo Oliveira, da cidade de Jaraguá.

    A ex-estudante Caliane Araujo, de Guarulhos, disse que teve "o preconceito estampado na minha cara, quando uma colega de sala gritou no meio de todo mundo que eu tinha aids".

    Outro depoimento que ganhou destaque na reunião foi o da estudante Hellen Passos. "Quando estudei na zona oeste, aprendi sobre sexologia, aids, e depois precisei mudar pra uma escola da zona norte e nada disso era ensinado. Minha mãe chegou a levar proposta de palestras pra lá, mas o diretor não aceitou", conta.

    São mais de 5.600 escolas em todo o estado de São Paulo. Por isso, Maria Clara Gianna, diretora técnica do Centro de Referência e Treinamento DST/aids, acredita que é preciso concretizar políticas públicas locais a depender da região onde está localizada a escola. "Cada região tem uma cultura, tem hábitos diferentes e seria importante que cada instituição entendesse melhor seus alunos e trabalhasse com eles de acordo com suas necessidades que podem variar de acordo com o local onde elas estão."

    Eleuza Guazzelli, da Secretaria Estadual de Educação, explica que há questões de saúde que não foram privilegiadas pelas escolas, mas o currículo já traz oportunidades de trabalhar melhor esses pontos. "A escola tem autonomia para realizar essas ações ligadas à prevenção", justifica.

    No entanto, os estudantes alegam que a autonomia das escolas pode ser uma barreira, já que alguns diretores e professores acabam optando por não inserir o tema na programação. Segundo Sandra Santos, da Fundação Poder Jovem, ela mesma já buscou realizar uma série de ações em diferentes escolas "mas muitas vezes não conseguíamos sequer sermos recebidos pelos diretores".

    Para Sandra, é importante ficar claro que não é preciso ter necessariamente uma disciplina específica sobre o tema, "mas que possam haver palestras e outros programas que deem oportunidade de esses jovens compartilharem sua sorologia, sua sexualidade". Por isso, ficou acordado que os Grupos de Trabalho farão articulações para enviar propostas com projetos de ações concretas que possam ser inseridas nas escolas dos estados. Levando em consideração, também, que há uma forte demanda para que o diálogo aconteça "de jovens para jovens", para que haja identificação e para que as barreiras sejam menores.

     

    Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)

    19/10/2017, 02:48 h

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