• Em resposta à sociedade civil, Departamento de Aids diz que é necessário ampliar o número de pessoas testadas para hepatite C

    Na última quinta-feira (7), a Agência de Notícias da Aids publicou, aqui, uma carta emitida pelo Fórum de ONGs Aids de São Paulo, o Grupo de Incentivo à vida (GIV) e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids de São Paulo (RNP+SP) direcionada ao Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais (DIAHV). O documento contesta o tom otimista utilizado pelo governo ao anunciar que 135 mil pessoas serão tratadas para a doença. Os números divulgados pelo DIAHV, durante o Congresso 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais, mostram que há 656 mil pessoas com necessidade de tratamento para a hepatite C.

    A carta também solicita que o Departamento intervenha junto a estados e municípios para que as pessoas coinfectadas com hepatite C e HIV sejam tratadas, além de obter preços mais vantajosos de medicamentos, como outros países em desenvolvimento.

    Em resposta, o Departamento de Aids afirmou que os dados divulgados durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais são estimativas referentes à população geral de 15 a 69 anos, até o ano de 2016, onde é possível observar a necessidade de ampliar esforços para identificar as pessoas infectadas com o vírus da hepatite C, aumentando a distribuição e realização de testes rápidos.

    O documento acrescenta que desde 2011 foram adquiridos pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 15 milhões de testes rápidos para hepatite C. E que, além disso, os tratamentos estão cada vez mais eficazes, simplificados, apresentando menos efeitos colaterais e obtendo altas taxas de cura. Por fim, o Departamento enfatizou que prioriza o tratamento de pacientes coinfectados, independentemente, do nível de fibrose hepática.

     

    Confira a resposta na íntegra:

     

    - O Ministério da Saúde, em parceria com a OPAS/Washington e CDA (Center for Diseases Analysis), teve a iniciativa de atualizar, por meio da elaboração do Modelo Matemático, a estimativa dos dados epidemiológicos relativos à epidemia da hepatite C no Brasil, visando, aprimorar as ações de atenção, prevenção, vigilância e tratamento das hepatites virais em nosso país. Parte desses dados, foram divulgados de forma preliminar durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais. De acordo com estes resultados apresentados, estima-se que a prevalência de pessoas soro reagentes (anti-HCV) seja de aproximadamente 0,7%, o que corresponde aproximadamente cerca de 1.032.000 pessoas soro reagentes para o vírus da hepatite C no Brasil. Essas pessoas foram expostas ao vírus C e não necessariamente se infectaram. Dentre esses dados, estima-se que 656.000 sejam virêmicos e que realmente necessitam de tratamento. Esclarecemos que, essa estimada prevalência de 0,7% é referente à população geral de 15 a 69 anos, até o ano de 2016. Essas estimativas foram realizadas tendo como base as informações de vários sistemas do Ministério da Saúde, publicações em periódicos nos últimos cinco anos, dados da Anvisa sobre doadores de sangue, dados de diagnósticos em campanhas, resultado dos estudos dos conscritos, dentre outros. Para análise, esses dados foram compilados e validados com a colaboração de pesquisadores brasileiros que compõem o Comitê Técnico Assessor de Hepatites Virais, Técnicos do Ministério da Saúde, da OPAS e do CDA.

    - Com base nas estimativas citadas acima, observa-se a necessidade de ampliar esforços para identificar as pessoas infectadas com o vírus da hepatite C, aumentando a distribuição e realização de testes rápidos. Considerando que, a hepatite C é uma doença silenciosa e pouco diagnosticada, torna-se imprescindível, investir em estratégias de comunicação, reforçando a importância de a população acima de 40 anos procurar o serviço de saúde mais próximo.

    - Desde 2011 já foram adquiridos pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 15 milhões de testes rápidos para hepatite C. Paralelamente, o DIAHV elaborou o Plano de Eliminação da Hepatite C, já pactuado no Comitê Intergestores Tripartite (CIT), visando, ampliar o diagnóstico, a notificação e o tratamento dos pacientes com hepatite C. Para isso, o desenvolvimento das ações será em articulação com as três esferas de poder, a Sociedade Civil Organizada, dentre outros atores.

    - Progressivamente os tratamentos estão cada vez mais eficazes, simplificados, apresentando menos efeitos colaterais e obtendo altas taxas de cura. O Ministério da Saúde tem apresentado imenso esforço em acompanhar as inovações tecnológicas, e no dia 04 de dezembro de 2017 anunciou o registro de duas novas drogas no arsenal terapêutico para o tratamento da hepatite C. Reforçando então, o comprometimento Ofício-Circular 63 (1528766) SEI 25000.480266/2017-10 / pg. 1 com o anúncio de tratamento para todos os pacientes com hepatite C, feito pelo sr. Ministro, na reunião da cúpula mundial de hepatites em 01 de novembro de 2017, na cidade de São Paulo/SP, independentemente, do nível de lesão hepática. Vale destacar que, desde 2015 até o momento, o Ministério da Saúde disponibilizou cerca de 63.838 tratamentos com os novos medicamentos antivirais de ação direta.

    - Com relação as pessoas coinfectadas o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções, prioriza o tratamento desses pacientes, independentemente, do nível de fibrose hepática.

    - Agradecemos a colaboração e oportunidade de discussão e nos colocamos à disposição para demais esclarecimentos que se façam necessários.


    13/12/2017, 03:45 h

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